Calças apertadas; cabelos super-produzidos; sapatos brilhantes; roupas extravagantes de última tendência; partes do corpo à mostra; maquiagem em geral; acessórios diversos. Todas estas coisas e algumas mais, ao primeiro contato e leitura nos remeteriam direta e exclusivamente às mulheres, há pouquíssimo tempo atrás. Infelizmente, todas estas coisas já não ligadas apenas à feminilidade, mas à masculinidade também.

Claro que há que se considerar que muitas destas coisas não trazem em si prejuízos e infâmia aos filhos de Deus, desde que utilizadas com modéstia bíblica, temor do Senhor, piedade, e ênfase na glorificação de Deus (vide a parte I do assunto). Não precisamos usar calças hippies, nem chinelos “havaianas”, nem nos vestir a mostrar apenas os olhos, etc. Podemos utilizar todas estas coisas como filhos de Deus, remindo-as da Moda caída do mundo, com tempero e iluminação, sal e luz.

Aqui procuro agora ser direto, pois a essência do assunto já foi elaborada na parte I. Uma palavra, pois, aos homens que dirigem grupos de louvor e aos homens da igreja de Cristo: vistam-se como homens! Dificilmente pensaríamos que tal exortação seria necessária há poucos anos atrás. Porém, as coisas se procederam (ou melhor, regrediram) tão fortemente que temos que retornar aos fundamentos mais básicos, não apenas da fé, mas da conduta primária e da virtude cristã, mesmo àquela virtude humana. O que os líderes de jovens precisam entender é que eles exercem (quer enxerguem ou não) uma influência pesada e duradoura sobre os jovens que estão sob eles. Eles são espelhos, são exemplos a ser seguidos (ou, pelo menos, deveriam ser). E muitos entendem isso, mas o entenderam e o praticam com distorção: ao invés de serem modelos bíblicos de hombridade e de temor ao Senhor, se tornaram “modelos” como o mundo produz – na moda, nas tendências, nas culturas diversas. O padrão e os fundamentos foram abalados, e que podem fazer os jovens se não, infelizmente e mesmo inconscientemente, serem levados por tão grande desgraça de influência?

A Escritura claramente ensina o porte coerente e modesto do homem bíblico. Antes de alguns citarem o exemplo de Davi, sua dança e sua veste em 2 Samuel 6, eu mesmo o citarei e explicarei. Há quem diga que podemos nos “basear” em Davi, quando este dançou com roupas “diversas e extravagantes” elaboradamente diante do Senhor e diante do povo de Israel, assim que recuperou a Arca da Aliança e a trouxe para Jerusalém. Isso é um erro primário de leitura e interpretação. A dança, no costume judaico e no costume da cultura do Antigo Oriente Próximo, era sempre associada à alegria e a exaltação dos deuses. Davi não estava dançando ali como algo fora do comum ou então para mostrar “diferença” diante do povo. Suas vestes também não eram vestes incomuns ou “descoladas”. Ele simplesmente tirou a veste real e permaneceu com a veste de linho que se usava debaixo das roupas ordinárias. Em outras palavras, ele se colocou diante do povo como um homem simples, humilde, sem formosura exterior – como um escravo da época. Daí o porquê de sua esposa Mical ter ficado tão irada. O exemplo, então, que tanto é utilizado para “desculpar” as atitudes de muitos jovens e de grupos de louvor hoje é motivo de contraposição. Esta passagem mais exorta essas pessoas do que as pauta. Devemos nos portar diante do povo de Deus de maneira simples e varonil, sem pomposidade e sem extravagância. Aos que dizem: “Davi dançou; eu também quero dançar!”, cabe uma exortação: a dança não é algo proibido pelas Escrituras. Davi dançou; o povo de Deus dançava e se alegrava. Porém, isto nunca estava incluído na liturgia formal da lei de Deus como ato exclusivo de adoração. O ambiente era de descontração, de alegria, de festa, sendo uma forma de adorar a Deus, mas não no ambiente de estudo da Palavra de Deus, ou de exposição da lei do Senhor. Se apenas lembrássemos que no primeiro século, apenas o ato de um senhor correr era vergonhoso, por dois motivos – homens nobres não correm e homens de vestido não correm para não mostrarem as “vergonhas” [vide o pai do filho pródigo] – talvez bastaria para nos mostrar a importância do porte varonil nos dias desta sociedade líquida.

Você que nos lê agora, e que dirige um grupo na sua igreja, especificamente no louvor, ou até mesmo em outras áreas na comunidade de Cristo, precisa se arrepender e se voltar ao padrão de Cristo e das Escrituras. Você precisa deixar de ser o espelho último dos “seus” jovens (que não são seus!) e apontar Jesus Cristo para eles. Pare de fazer com que as ovelhas masculinas de Cristo se tornem “pôneis encantados”, e faça deles leões neste mundo hostil. Ensine a eles a modéstia cristã, a virilidade histórica, a masculinidade equilibrada; ensine força, firmeza, responsabilidade, comprometimento; ensine devoção a Deus, respeito à família, à igreja, à sociedade. Ensine-os como devem se vestir; ensine-os a gastar tempo em frente ao espelho, mas o espelho que é a Palavra de Deus. Ensine-os a calçar os melhores sapatos, que são os da preparação do evangelho. Ensine-os a louvar a glória de Deus e não a si mesmos! São coisas e outras mais que farão de vocês, líderes, homens dignos de serem seguidos e imitados, e deles homens que esta terra não será digna dos tais.

Por: Caique Büll. Revisão: Filipe Castelo Branco. Copyright © Cante as Escrituras 2015. Original: Moda x Modéstia [Parte II]: Uma Palavra aos Homens do Louvor e da Igreja de Cristo.

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