A letra de hoje, para nossa alegria, reflete os estandartes do cristianismo. Uma boa música congregacional, não é apenas aquela em que as notas são fáceis de se tocar e cantar a todas as idades, mas também e principalmente isto, a letra ser agradável a Deus – ou seja, bíblica.

Vamos à análise e vejamos o que podemos aprender a partir dela.

Venho a Ti me confessar
Pra minh’alma descansar
Sem Tuas mãos, perdido estou
Guia-me por teu amor

A estrutura começa com uma declaração importante: a confissão de pecados diante de Deus. Não diante de um homem ou mesmo aos irmãos – ainda que isto seja importante (Tg 5.16) –, mas a Deus, o único que pode perdoar pecados (Mc 2.7). O próprio livro de Provérbios nos diz: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Pv 28.13). Notemos, porém, que a confissão vem aliançada ao firme desejo de deixar o pecado e nunca mais o cometer. Sabemos que, muito provavelmente, incorreremos novamente no pecado cometido, mas se o desejo for, realmente, de nunca mais o cometer e depender unicamente de Cristo para cumprir Sua palavra, há uma confissão sincera.

Também notamos que a confissão leva o homem a ter paz com o Senhor. Diz o salmista: “Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado” (Sl 32.5). E por que o salmista confessou o seu pecado? “Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio” (Sl 32.3-4). Quando não reconhecemos nossas falhas para com Deus, o Senhor nos pesa e faz com que passemos por situações que nos ensinem a depender mais e mais de Sua soberania e providência. Em verdade, diz a Bíblia que muitas vezes Ele sequer ouvirá nossa oração, caso não confessemos: “Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue” (Is 1.15).

E a primeira estrofe finaliza de maneira coerente com o restante: sem o Senhor, estamos completamente perdidos e precisamos da misericórdia de Deus a cada diz, pois como Cristo disse, “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5).

Óh Senhor, de Ti preciso
Mais e mais preciso
Meu defensor, justo e fiel
De Ti eu preciso

Na Bíblia é corrente a expressão do homem se apresentando diante de Deus e clamando por Sua mão, como lemos: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” (Sl 42.2). O genuíno crente tem o necessário desejo de estar com o Senhor e somente nele buscar forças, conforme o mesmo salmo: “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!” (Sl 42.1). É bem verdade que muitas vezes nos sentimos irados para com o Senhor, mas sempre nos lembremos de suspirar por Sua palavra!

A letra também expressa que o autêntico crente, confessa que somente Deus é o seu defensor, justo e fiel. Mas defensor do quê? Talvez a letra pudesse ter explanado melhor, todavia, ao crente fica claro que o Senhor o defende de Si mesmo, da Sua ira implacável contra o pecador (Salmo 7), tornando o crente amigo de Deus (Jo 15.15), por causa de Cristo Jesus.

Se estou perdido encontro a graça
E onde há graça Tu estás
Se estás aqui, há liberdade
Tua vida em mim é santidade

A declaração desta parte concorda com a Escritura: “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10). O homem, por natureza, está perdido e totalmente impossibilitado de chegar à salvação. Sem a graça do Senhor, ninguém pode esperar coisa alguma, senão a condenação eterna, “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 6.23).

Embora a letra não trate deste assunto, convém lembrar de que o versículo, “Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Co 3.17), se refere à liberdade do crente com respeito ao pecado, com respeito à justificação pelas obras, de modo que quando se canta “Se estás aqui, há liberdade”, entendamos com base naquilo que lemos: “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus” (Hb 10.19). A liberdade para cultuar e adorarmos a Deus é por causa do sangue de Jesus, o sangue que nos purifica de todo o pecado. Nunca haverá liberdade para fazer o que desejarmos, porque a liberdade do crente é cativa à Escritura.

E quando a tentação surgir
Que minha vida cante a Ti
E se eu não conseguir mais suportar
Teu amor me guardará

A tentação é algo que rodeia todos os crentes. A Bíblia diz que “o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pe 5.8). Tal qual o inimigo fez com Jó, também busca fazer a cada um dos escolhidos de Deus. Daí o Senhor deixar evidente: “E quando chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação” (Lc 22.40). A tentação é um instrumento, dentro da soberania de Deus, para nos aperfeiçoar na busca pela dependência do Senhor. Por isso a tentação, de certo modo, é boa – não porque as vezes nos leva a vacilar, mas porque dentro do plano da criação de Deus, muitas coisas somente aprendemos com as quedas e tropeços na vida – “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança” (Tg 1.2-3).

E de fato, também quando se canta que muitas vezes não conseguiremos mais suportar as tentações, recordemos do que diz a palavra: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim” (Lm 3.22). Pela Sua boa e poderosa fidelidade, não somos consumidos. Seu amor nos guarda porque Ele é fiel a Sua própria palavra, porque tudo aquilo que prometeu, Ele mesmo fará e nisto temos a promessa: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mt 28.20)

Ao chegarmos ao fim da música, então, pudemos verificar que ela não exalta o homem, não o coloca em algum lugar elevado ou lhe atribui qualquer coisa que o Senhor não tenha prescrito em Sua palavra. Pelo contrário, diminui o homem e exalta ao Senhor, em obediência ao mandamento: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30).

Concluo a classificando como “bíblica, louvor e apropriada ao culto público”.

Resultado: Bíblica | Louvor | Congregacional

Por: Filipe Machado. Revisão: Filipe Castelo Branco. Copyright © Cante as Escrituras. Website: CanteAsEscrituras.com.br. Todos os direitos reservados. Original: Senhor, Eu Preciso – Paulo César Baruk (Análise).