Lembro-me da emoção do primeiro jogo da liga principal de beisebol dos meus filhos. Seus olhos corriam de um lado para o outro com tanta coisa para ver: chapéus e uniformes, grama verde, milhares de fãs animados, seus jogadores favoritos entrando em campo. Seus ouvidos sintonizados a cada som: “Gatorade! Amendoins!” O som do taco acertando a bola. O juiz gritando: “Strike!” O barulho da multidão em um “home run”. Havia tanta coisa para experimentar e fazer. Tudo entre os dedos grudentos de algodão doce e o canto de “’Take Me Out to the Ball Game.” Embora meus filhos não entendessem todas as regras e não pudessem distinguir uma “breaking ball” de uma “fast ball”, eles estavam imersos no jogo de beisebol. Eles absorviam a alegria do jogo e aprendiam a amar a experiência antes mesmo de entenderem o que estava acontecendo.

Os sentidos das crianças não são menos ativos na experiência da adoração congregacional. Elas ouvem a majestade do órgão de tubos. Sentem a batida de um bumbo. São pegas na onda do louvor congregacional. Elas se tornam familiares com o ritmo da voz do pastor e percebem quando o sermão é leve ou duro. As crianças observam as palmas, os abraços pelos corredores e os braços erguidos em uma postura curiosa de rendição. Elas veem as cores do ano cristão e se perdem nos vitrais lembrando-lhes das histórias bíblicas.

Embora as crianças não compreendam todos os aspectos do culto e não consigam participar plenamente de muitos atos, elas, no entanto, estão aprendendo a adorar ao nosso Deus triúno. Elas não conseguem distinguir entre santificação e salvação ou providência e predestinação. E nem sempre sabem como ler as litanias congregacionais ou acompanhar o hinário. Mas elas percebem o amor que as pessoas têm umas pelas outras e pelo Senhor. E são introduzidas às posturas de oração e louvor. Elas percebem que a adoração consiste em ouvir, mas também em falar. Aprendem que este lugar também é uma casa e que estas pessoas são uma família também.

A celebração da Páscoa registrada em Êxodo fornece um precedente bíblico para esta experiência de aprender na adoração. Percebendo a presença de crianças na Páscoa, Moisés instrui o povo, “Quando os seus filhos lhe perguntarem: ‘O que significa esta cerimônia?’ Respondam-lhes: É o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou sobre as casas dos israelitas no Egito e poupou nossas casas quando matou os egípcios’” (12:26-27). Moisés aceita que as crianças não vão entender a cerimônia inicialmente. Mas a participação delas na cerimônia é exatamente a oportunidade de elas aprenderem!

Pesquisas sobre aprendizagem recomendam esse processo. Psicopedagogos concluem que aprendemos melhor quando participamos (veja John Seely Brown, Allan Collins, e Paul Duguid, “Situated Cognition and the Culture of Learning,” Educational Researcher 18, no. 1 (Jan/Fev 1989): 32-42). Por exemplo, uma criança aprenderá em média três mil palavras por ano na sua adolescência apenas estando imersa na cultura e praticando o idioma. Por outro lado, uma criança pode aprender, no máximo, trezentas palavras por ano em uma sala de aula através de memorização mecânica (Brown, Collins, and Duguid, “Situated Cognition and the Culture of Learning,” 32). Os pesquisadores explicam que da mesma forma aprendemos todas as coisas. Aprendemos andar de bicicleta, andando de bicicleta. Aprendemos a nadar, nadando. Aprendemos a tocar piano, tocando piano. Todo esse aprendizado ocorre através de se observar e ouvir modelos, mentores e professores; e envolve arranhões e hematomas, afundar e se debater na água e muitas e muitas notas erradas.

Aprender a adorar ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo não é diferente. Nossos filhos aprendem ao participarem. Eles ficam inquietos e conversam durante o sermão, mas aprendem a ouvir o Espírito Santo. Eles começam a nos contar uma piada no momento em que estamos curvando nossas cabeças para a oração de intercessão, mas aprendem a fechar os olhos e conversar com seu amado Pai sobre seus medos e alegrias. Eles não conseguem ler as letras dos louvores projetas no telão, mas estão aprendendo os tons que conduzem à verdade de Jesus Cristo até à velhice.

Portanto, vamos convidar nossos filhos a participar da maravilhosa experiência da adoração congregacional. Deixe que chorem e riam, se mexam e sussurrem. Deixe que interrompam, mesmo quando estamos tentando fervorosamente orar. Esta é a oportunidade deles de aprender. E esta é a nossa oportunidade de moldar e orientar. Este é o momento de cultivar a fé dos nossos filhos e inculcar-lhes o amor por adorar juntos ao nosso Deus triúno.

Por: Paul Ryan. © 2016 Faith Alive Christian Resources. Website: reformedworship.org. Original: From Wiggles to Worship

Original: Da Agitação à Adoração. © 2016 Cante as Escrituras. Website: CanteAsEscrituras.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: William Delesposti. Revisão: Filipe Castelo Branco.