Temos notado em nossas análises que muitas músicas, além de não bíblicas, são confusas para serem cantadas. Seja porque a forma de expressão não é a melhor ou porque simplesmente usa termos ambíguos para tentar expressar algo.

Na música de hoje, diferentemente, temos um reflexo de como a letra pode ser bela, simples e ao mesmo tempo bíblica, levando o ouvinte a entender o que canta e glorificar a Deus pelo que tem feito. Vamos à análise.

Eu procurei tua luz
Sabes o quanto vaguei
Quando encontrei o caminho
A tua alegria
Me encheu de canções
E pude seguir

O estado natural do homem diante de Deus é semelhante àquele indivíduo endemoniado e que vagava pelos sepulcros, “de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras” (Mc 5.5). Ainda que possamos ser socialmente aprovados e tenhamos algum mérito diante dos homens, perante Deus somos como o imundo (Is 64.6) ou literalmente, um pano usado para conter a menstruação das mulheres [1].

Por isso, quando a música inicia afirmando que o homem busca a luz do Senhor, como já temos dito, de certa forma é plenamente verdade. Não que ele deliberadamente clame ao Senhor por si, mas durante toda a vida, cada ser humano procura alguma razão para sua existência. Todos possuem o desejo de conhecerem algo mais “elevado” e que lhes tire do enfado que a vida proporciona. E é enquanto buscamos esta “razão para viver”, ainda que “pelos montes, e pelos sepulcros“, como aquele homem, é que o Senhor costuma chamar os Seus. Não foi assim com aquele endemoniado? Acaso foi diferente com o apóstolo Paulo, que pensava estar trabalhando em algo digno para Deus, mas que teve a grata surpresa de ser chamado por Ele, mesmo enquanto o perseguia?

E quando o Senhor nos chama, então, nosso coração realmente se enche de alegria. Maria, a mãe de Jesus, expressou sua gratidão ao Eterno pela graça recebida: “A minha alma engrandece ao Senhor, E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador; Porque atentou na baixeza de sua serva” (Lc 1.46-48). Quando o homem é encontrado por Deus, seu choro se torna em júbilo, como descreve o salmista: “Tornaste o meu pranto em folguedo; desataste o meu pano de saco, e me cingiste de alegria” (Sl 30.11). E assim o homem pode seguir sua vida, não mais vagando e procurando por algo, mas louvando a Deus pela salvação.

Eu descobri que a cruz
É o que faz tua chama brilhar
Lenho perene que aquece o fogo divino
Sinaliza ao perdido o lugar
Onde te encontrar

Toda música, por mais bíblica que seja, sempre pode melhorar. No presente caso, diz respeito a “super exaltação” do momento da crucificação – um erro comum em várias canções. Não que a cruz não seja importante, mas o que nos salvou foi toda a vida de Cristo – sua obediência, morte e ascensão. Outra coisa que poderia melhorar é a expressão “lenho perene.” Confesso que tive de procurar, até entender que o “lenho” se refere à “lenha” (madeira) e o perene, conquanto já soubesse ser sinônimo de eterno, talvez leve muitas pessoas a ouvirem e não entenderem completamente o sentido.

Fora estes detalhes, podemos compreender o que o autor quer dizer com a estrofe, isto é, ecoar o sentido que a morte de Cristo em favor de Seus eleitos, fornece ao coração do crente. Foi na cruz que Cristo bradou “está consumado” (Jo 19.30), cumprindo o ápice de sua vida, vencendo “o último inimigo que há de ser aniquilado [que] é a morte” (1Co 15.26). Daí Paulo expressar: “Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” (1Co 15.55), pois a morte já havia sido vencida por Cristo, concretizando a libertação de todos os crentes!

Estrela da manhã
Tu brilhas como o sol
Corróis a escuridão
Jesus és meu farol

Por fim, talvez o autor da música tenha se baseado nesta passagem, para fazer referência à estrela da manhã: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã” (Ap 22.16). A expressão “estrela da manhã” e seu significado, as vezes, é um pouco controverso, pois existem diferentes vezes em que ela aparece na Escritura, podendo levar alguém a não entender exatamente qual o seu significado.

Seja como for, parece ter sido a intenção do escritor a exaltação de Cristo como aquele máximo, aquele brilho “como o sol”, que não deixa nada sob a escuridão, conforme lemos: “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz” (Is 9.2), demonstrando que quando Cristo habita no crente, tudo se transforma, passa a ter sentido e Ele vira nosso farol, nosso referencial e porto seguro!

Concluo classificando como “bíblica e apropriada ao culto público”.

[1] http://www.biblestudytools.com/lexicons/hebrew/kjv/ed-3.html

Por: Filipe Machado. Revisão: Filipe Castelo Branco. Copyright © 2016 Cante as Escrituras. Website: CanteAsEscrituras.com.br. Todos os direitos reservados. Original: Estrela da Manhã – Lucas Souza (Análise).