Famosa, morena e charmosa, Beyoncé foi protagonista no intervalo do Super Bowl (2013). No palco e vestida com um traje de banho e botas pretas de pele, se contorce cantando várias canções pop familiares. Sem dúvida, ela chamou a atenção. Agora, bem, qual era a mensagem? Em seu texto para o Canal Cristão Progressivo “Patheos”, David Henson argumentou: “Se o que você viu foi uma exibição ofensiva, com um movimento de pernas inapropriado e hiper-sexual apenas cobertos, me permita lhe sugerir que só viu o que quis observar, não o que realmente sucedeu nesse palco”. Então, o que realmente aconteceu? Ele escreve:

“A atuação de Beyoncé no domingo de noite em Nova Orleans não se tratava de sexo. Se tratava de poder, e Beyoncé o tinha em abundância. De fato, seu show foi uma das declarações sobre o poder feminino mais convincentes, personificadas e proféticas que tenho visto na televisão convencional.”

Estou de acordo que ela encarnava de maneira poderosa a força e a audácia como o mundo a vê. Mas não posso ignorar a sugestividade sexual da sua atuação quando ela lambeu seu dedo, passou pelo seu corpo e envolveu suas mãos ao redor de sua cabeça. No entanto, como quer que queira interpretar esse ato, não podemos negar que o desempenho de Beyoncé levava uma mensagem de que a sexualidade e a sensualidade são poderosas e atrativas. As mulheres dizem que querem que os homens deixem de vê-las como objetos sexuais, mas eu me pergunto: Estamos contribuindo com nossa causa com atuações hiper-sexuais como a de Beyoncé? Ela não é a única a quem culpo. Acredito que ela é um produto do seu meio ambiente, a indústria da música pop. O sexo vende, e ela é uma empresária inteligente. Tampouco nego a premissa de Henson, porque a sexualidade certamente é poderosa. Beyoncé exerce o poder ao escolher só mulheres para serem suas bailarinas e músicos, e o celebra em sua canção “Run The World (Girls)“. Ainda assim, não posso deixar de me perguntar: como estamos apoiando as mulheres se celebramos o alarde da sua sexualidade em público?

Igualdade e Empoderamento

Algumas feministas de terceira têm tratado de liberar a sexualidade feminina, num esforço para conseguir a igualdade e empoderamento das mulheres. No livro Manifesta: Young Women, Feminism and the Future (Manifesta: As mulheres jovens, o feminismo e o futuro), as autoras Jennifer Baumgardner e Amy Richards explicam que escreveram esse livro para derrubar “a dupla moral da saúde sexual, o qual requererá uma melhor educação sexual, a distribuição de anticoncepcionais gratuitos e a eliminação da vergonha potencial associada às consequências da liberdade sexual“.

Elas denunciam a “falsa percepção de imoralidade”, e falam especificamente da eliminação da gravidez não desejada através do aborto. As autoras observam que em outro momento as imagens que regularmente vemos na televisão tinham incitado a preocupação das feministas, pela objetivação da mulher. Agora, estas imagens se converteram em sinais de liberação e de poder. “Historicamente, os anúncios publicitários tem misturado o corpo das mulheres com o produto, algo pelo qual as feministas lutaram arduamente para identificar e criticar… Mas a coincidência da imagem sexista tem mudado de acordo ou não com o argumento de Camille Pagalia e os demais, que se exibir em atitudes sexuais não faz com que uma mulher se sinta poderosa e os homens impotentes, há exemplos positivos de “subjetivação” da mulher. Estas mulheres não são objetos, visto que tem o poder“.

Escrito há mais de uma década, os autores citam vários exemplos deste empoderamento recém descoberto: a pioneira do pop Madonna, a diva do hip-hop Missy Elliot, a glamourosa do futebol Brandi Chastain e a estrela de cinema Angelina Jolie. “Todas converteram sua identidade sexual em poder de uma forma feminista”, afirmam as autoras. ”Essas mulheres não são exploradas. São mulheres completas, com confiança em si mesmas e conscientes“.

Liberdade e Poder?

De ano em ano, o padrão visual da autoconfiança muda. O estilo do modelo magra-viciada, que se estendeu na década de 1980, se extinguiu. Agora, a provocação sexual, “a mulher livre” é o que está na moda. Cada mudança tem suas consequências. As imagens ubíquas afetam as mulheres adultas na sua luta por competir com as estrelas pornô por atenção dos homens. E de acordo com um artigo impactante publicado recentemente pelo The Telegraph, as meninas de 13 anos de idade já sentem a pressão de se mover em um mundo cada vez mais sexualizado. O artigo cita o caso devastador de uma jovem que morreu quando se deslizou pela janela, logo após ameaçar pular se um jovem não eliminasse um vídeo que tinha gravado em seu encontro sexual. É essa a liberdade e o poder que buscamos? É ingênuo que as mulheres criem na concepção generalizada e aceita de que a exploração de imagens sexuais femininas não lhes vai converter em objetos. E quanto esse empoderamento tem ajudado as mulheres em termos práticos?

Se as mulheres dominam o mundo, por que ainda há uma diferença salarial entre homens e mulheres em posições de liderança? Se as mulheres governam o mundo, por que o trafico e a escravidão sexual cobram mais vítimas hoje em dia que em qualquer outro momento da história? Não creio que isso é o que realmente querem as feministas para as mulheres. As imagens sexuais vendem, mas o custo é alto. Finalmente, como cristãos não só devemos nos separar dos que acreditam que a sexualidade os liberta, senão que, como Jesus, devemos compartilhar a verdade sobre as consequências do pecado que leva a morte. Não seria esta a forma em que amamos ao nosso próximo como a nós mesmos? Todos nos identificamos com os publicanos e as prostitutas que desfrutaram da companhia de Jesus. Pecamos gravemente em nossos corações. E agora sabemos que há uma melhor maneira. Larga é a porta, e espaçoso é o caminho que leva à perdição. Mas há uma porta, ainda que estreita, que leva à vida eterna. Advertemos, compartilhemos, e lutemos pelo bem dos demais e o amor de Cristo. Quando os nossos semelhantes veem o poder em Beyoncé, e nós vemos a escravidão do excesso da nossa cultura sexualizada neste mundo caído, devemos tratar de guiá-los ao Pai, que promete segurança e sanidade, e cujo Filho afirmou a glória através da humildade.

 

Por: Trillia Newbell. © The Gospel Coalition. Traduzido com permissão. Fonte: Beyoncé ¿Poder o esclavitud?

Original: Beyoncé: Poder ou escravidão? © Cante as Escrituras. Website: CanteAsEscrituras.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Renan Bandeira. Revisão: Filipe Castelo Branco.