A recente mudança do Wheaton College para pôr em licença administrativa um membro do seu corpo docente tem suscitado um debate sobre cristãos e muçulmanos adorarem ou não o mesmo Deus. Esse debate é recorrente por conta da tendência da cultura de reduzir as diferenças religiosas em ideias nebulosas e impessoais sobre “Deus”, por conta da ideia generalizada de fé religiosa. Como Stephen Prothero observa em God Is Not One: The Eight Rival Religions that Run the World – and Why Their Differences Matter (Deus não é um Só: as oito religiões rivais que governam o mundo – e porque suas diferenças importam), o nosso feliz e ignorante “pluralismo” pode, em questões religiosas, levar carros-bomba a explosão, balas disparadas através de edifícios, reféns em clínicas de aborto e ondas de violência genocida.

Religiões criam um monte de problemas no mundo. A ignorância acerca da religião agrava esses problemas. Argumentar que cristãos e muçulmanos adoram o mesmo Deus é, geralmente, bem intencionado. Mas, em um mundo cada vez mais cheio de confrontos entre adeptos do Islã e o Ocidente, essa confusão é perigosa. Muçulmanos e cristãos não adoram o mesmo Deus e isso realmente importa!

Deus

Muçulmanos sustentam que “Deus é um só”. Alá não tem parceiros e atribuir isso a ele é incorrer na maior blasfêmia. Os cristãos acreditam que “Deus é único e existe em três Pessoas.” Cada Pessoa na Trindade é plena e eternamente Deus. No entanto, há um só Deus. Nossos vizinhos muçulmanos acreditam que os cristãos são culpados da maior blasfêmia, por atribuírem parceiros a Deus. Os cristãos acreditam que seus vizinhos muçulmanos são culpados do grande pecado da idolatria.

Os dois pontos de vista acerca da natureza de Deus são irreconciliáveis.

Dever

Os muçulmanos acreditam que o dever do homem para com Alá é se submeter à sua vontade. O objetivo final do Islã não é a salvação, mas trazer o mundo inteiro para o domínio de Alá – dar al Islam. O Cristão crê que o dever mais fundamental em relação a Deus – a partir do qual toda obediência surge – é o arrependimento e a fé no Filho de Deus, Jesus Cristo. Ninguém conhece Deus se não conhecer o Filho, que é o único mediador entre Deus e os homens. O objetivo do cristianismo é a salvação dos pecadores através da justiça, expiação substitutiva e ressurreição de Jesus Cristo.

Os objetivos das duas religiões não poderiam ser mais diferentes. E porque os objetivos são diferentes, a forma como adoramos e agimos no mundo também diferem radicalmente.

Inimigos

Apesar de todos os debates sobre quem é ou não um “verdadeiro Muçulmano”, não se pode duvidar que um número significativo de muçulmanos acreditam que é admissível, até necessário, lutar pela causa do Islã. O Senhor Jesus Cristo ensina que os Cristãos devem amar os nossos inimigos. Os cristãos devem dar a outra face. Os cristãos não lutam contra carne e sangue, mas com forças espirituais do mal, nas regiões celestes.

Porque os Cristãos e Muçulmanos definem seus inimigos de forma diferente e respondem a eles de forma diferente, não se pode dizer que adoram o mesmo Deus.

Conclusão

Eu poderia continuar. Embora existam muitas coisas em comum (ambos os grupos descendem de Abraão), um vocabulário comum (ou seja, fé, adoração, etc.) e também um endereço em comum no mundo, podemos ser tentados a pensar que há mais em comum do que o que de fato existe. Não vamos cometer este erro. As diferenças são radicais e elas levam a diferenças éticas descontroladas. Sobriedade e caridade nos exigem afirmar com amor essa verdade e trabalhar com tais implicações.

Por: Thabiti Anyabwile. Copyright © 2015 The Gospel Coalition. Original: Muslims and Christians Do NOT Worship the Same God

Tradução: Thiago Holanda. Revisão: Filipe Castelo Branco. © 2016 Cante as Escrituras. Original: Muçulmanos e Cristãos Não Adoram o Mesmo Deus

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