Em meus mais de onze anos como diretor de desenvolvimento na área da adoração para Sovereign Grace Churches, avaliei centenas de cânticos de adoração e compus, eu mesmo, alguns. Nem todos foram excepcionais. Na verdade, bem poucos podiam ser assim classificados. Percebi repetidas vezes aquelas tendências que impedem cânticos fracos de se tornarem bons ou maravilhosos. Tenho profunda familiaridade com essas tendências em minhas próprias canções e abaixo alistei as dez piores. Embora estas reflexões sejam dirigidas a compositores, na maioria dos casos também se aplicam a líderes de adoração.

Assim, se você quer escrever canções de adoração ruins, siga estas dicas simples:

1. Dedique-se a escrever o próximo hit de adoração que vai percorrer o mundo.
Isso já foi feito, e não há como controlar os resultados. Para quem mesmo você está escrevendo?

2. Invista todo o tempo debruçando-se sobre a música e não sobre a letra.
A letra que cantamos importa de fato? Para Deus, sim. E devia ser assim para nós também. Se para Deus a música fosse o aspecto mais importante de um cântico de adoração, teríamos gravações do rei Davi tocando e cantando os Salmos.

3. Invista todo o tempo debruçando-se sobre a letra e não sobre a música.
Não fique tão preocupado com melodias, ritmos ou harmonias. Afinal de contas, o que importa mesmo é a letra. Será mesmo? Pense uma coisa: uma grande teologia expressa em melodias fracas ou impossíveis de cantar não será lembrada por muito tempo. Se é que será de todo lembrada.

4. Não leve em consideração a tessitura ou capacidade vocal da média das pessoas.
Talvez sua tessitura vocal abranja três oitavas, mas a maioria das pessoas da congregação só se sente à vontade entre determinado A (lá) mais grave e seu D (ré) mais agudo. Além disso, talvez não consigam cantar as melodias alternativas que você queira criar para determinadas estrofes, nem fazer as inflexões de voz a que você está acostumado.

5. Jamais permita que ninguém altere a forma original da canção que Deus deu a você.
Por que estragar a inspiração divina? Bem, porque vemos em parte e nem sempre acertamos da primeira vez.

6. Certifique-se de que a maior parte de suas canções fale sobre o que fazemos e sentimos e não sobre quem Deus é e o que fez.
Por que rechear nossos cânticos com descrições claras, específicas e convidativas do caráter e da obra de Deus? Por que não simplesmente expressar nossas emoções e falar sobre como estamos apaixonados por Deus? Porque as chamas da emoção sem combustível doutrinário se extinguem muito facilmente ou acabam por tentar se alimentar por si próprias.

7. Tente usar o maior número possível de frases e expressões extraídas das Escrituras, e não se preocupe se elas combinam entre si.
É a isso que Nick Page dá o nome de “poesia de ímã de geladeira”. Soa bíblica, mas ninguém entende muito bem o que você está dizendo.

8. Cubra o maior número possível de temas.
A menos que você esteja compondo 17 estrofes, como alguns compositores de hinos do século 18, talvez não deveria tentar abordar em um só cântico a Criação, a Queda, a história de Israel, a encarnação, a vida de Jesus na terra, a Última Ceia, a cruz, a ressurreição, a ascensão, a descida do Espírito Santo, a igreja, o ministério aos pobres, a salvação, a santidade, a segunda vinda e o céu. Grandes letristas são capazes de entretecer vários temas em torno de um foco coerente. Mas não somos todos grandes letristas. Mantenha-se focado por toda a canção, e certifique-se de que há um bom motivo para um verso vir depois do outro.

9. Use expressões e palavras já presentes em 95% de todas as canções de adoração.
Levaste meu fardo sobre a cruz, / dando-me vida, ó meu Jesus; minha vergonha, ó meu Senhor, / destruíste com teu amor; para me salvar / vieste a vida entregar; preencheste o vazio do meu coração / com a tua salvação; desceu do céu o amor: / obrigado, meu Senhor. Acredite se quiser: essas frases e rimas ou variantes bem próximas já foram usadas. São muito boas. Mas é bem possível que consigamos pensar em maneiras mais criativas de usá-las. Também é possível que possamos pensar em outras possibilidades de letra.

10. Esqueça-se de Jesus e do que ele realizou na cruz.
Faça parecer que você não precisa de um Mediador (1Tm 2.5), que podemos entrar na presença de Deus por conta própria (Ef 2.18; Hb 10.9-22) e que nossa adoração é aceitável pelo simples fato de ser oferecida por nós (1Pe 2.5). Nem toda canção tem de mencionar por que o sacrifício substitutivo de Cristo é tão importante, mas essa verdade sempre deve estar em nossa mente enquanto compomos.

Minha lista certamente não é exaustiva. Você mesmo pode pensar em ainda outras péssimas maneiras de compor cânticos de adoração.

A propósito, se você fala inglês e tem interesse em algumas dicas sobre como compor boas canções de adoração, compilamos MP3s e esboços de alguns de nossos seminários sobre composição no website da WorshipGod. Entre essas dicas estão reflexões de Steve e Vikki Cook, Keith e Kristyn Getty, Dustin Kensrue, Kevin Twit e Mark Altrogge.

Por: Bob Kauflin. Copyright © 2008 Worship Matters. Direitos reservados. Traduzido e publicado com permissão de Bob Kauflin e Fabiano Silveira Medeiros. Original: Top Ten Ways to Write Bad Worship Songs

Tradução: Fabiano Silveira Medeiros. Revisão: Filipe Castelo Branco. Copyright © Cante as Escrituras 2016. Original: As 10 Piores Maneiras de Escrever Cânticos de Adoração

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