Qual é seu maior obstáculo para adorar a Deus quando se reúne com a igreja no culto congregacional?

Posso pensar em uma série de respostas possíveis: Nosso líder de música não é muito experiente. A liturgia é muito enrijecida. A banda toca mal. O pregador não é muito inspirador. Nossa igreja é pequena demais. Ou: Nossa igreja é grande demais.

Não quero minimizar a importância do planejamento fiel, da qualificação musical e da liderança sábia, mas o nosso maior problema quando se trata de adorar a Deus não está fora nós, mas reside em nosso próprio coração. É o problema da idolatria.

Qualquer Coisa a Não Ser Jesus

“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.” João termina assim sua primeira carta. Em outras palavras: não enxergue nada a não ser a glória de Deus em Cristo como fonte de sua maior alegria, sua mais profunda satisfação e sua maior autoridade.

A idolatria pode estar ativa em meu coração mesmo quando estou reunido com a igreja. Sempre que acredito não poder me encontrar com Deus caso “X” não esteja presente, estou fazendo uma declaração que revela muito sobre mim. Se “X” for qualquer coisa além de Jesus Cristo e seu Espírito Santo, já entrei em território idólatra.

É claro que Deus usa meios para se revelar. Nós o encontramos em sua Palavra lida e pregada, na ceia do Senhor, na comunhão uns com os outros e em nossos cânticos e orações. Mas, quando fazemos desses meios — ou, mais especificamente, da execução desses meios — a base da nossa comunhão com Deus, acrescentamos um impedimento desnecessário para o nosso encontro com ele. Assistimos à reunião dos santos como consumidores e juízes idólatras, e não como receptores e servos gratos.

Nossos Ídolos no Domingo de Manhã

Quais são alguns dos ídolos com os quais talvez tenhamos de lutar aos domingos? Aqui estão alguns exemplos que me vêm à mente.

Excelência musical

É fácil se distrair com uma execução musical desleixada, com canções sem sofisticação, com uma guitarra desafinada, com um vocalista estridente, com um baterista que perde o ritmo ou com um conjunto em desequilíbrio. É por isso que a Bíblia elogia as habilidades musicais (Sl 33.3). Mas, em vez de apenas criticar secretamente o que está acontecendo, posso agradecer a Deus por usar as coisas fracas deste mundo para confundir as sábias (1Co 1.20-31). Posso lembrar a mim mesmo de que Jesus aperfeiçoa todas as nossas ofertas de adoração por meio de seu sacrifício definitivo (1Pe 2.5), e que mesmo a execução musical mais perfeita é insuficiente por si só para merecer o favor Divino. Também pode ser útil conversar com o líder após a reunião para comunicar com humildade o que você percebeu.

Preferência musical

Nossos líderes nem sempre escolhem as músicas dentre aquelas que costumam ouvir em seus celulares ou iPods. E não são obrigados a fazê-lo. A melhor música para a congregação serve tanto à letra quanto à unidade da igreja local, não àquilo que pessoalmente nos agrade ou desagrade. Nenhuma canção precisa nos impedir de nos gloriar em nosso Redentor. Nós nos reunimos com o corpo para edificar uns aos outros. Dou mais glória a Deus quando me regozijo com o fato de que as outras pessoas na igreja estão sendo beneficiadas com uma música, mesmo que ela não seja da minha preferência.

Destreza para pregar

Quem dera todos os pregadores fossem tão talentosos, bem formados e qualificados quanto alguns daqueles mais conhecidos em nossos dias. Mas não são. No entanto, desde que estejam pregando o evangelho e procurando comunicar a Palavra de Deus de maneira fiel, estão obedecendo a Deus — e podemos nos alegrar com isso (2Tm 4.2). Como nos lembra o avô de Charles Spurgeon, talvez algumas pessoas sejam capazes de pregar o evangelho melhor, mas nunca poderão pregar um evangelho melhor. Procure sempre encorajar e agradecer os pastores que pregam em sua igreja.

Criatividade

A criatividade jamais será o nosso objetivo na adoração a Deus. Ela não passa de um meio para o fim de exibir e contemplar, de forma mais clara, a glória de Cristo. Novas formas ou meios de comunicação podem nos dar uma perspectiva diferente, fazendo com que a verdade tenha maior impacto sobre nós. Mas, se estamos preocupados de que nossos momentos de adoração congregacional não são suficientemente “legais”, “de ponta” ou surpreendentes, precisamos nos lembrar de que o evangelho de Cristo é sempre uma notícia de forma mais clara e a melhor notícia que jamais alguém poderá ouvir.

Experiências

Todos amamos as “experiências de adoração” com Deus. Mas o objetivo de nos reunirmos como povo de Deus não é simplesmente sentir aquele frio na barriga, mas ver e relembrar de algo com verdadeira afeição. Esse “algo” é a Palavra, as obras e os méritos de Deus, sobretudo quando ele se revelou em Jesus Cristo (2Co 4.6). Se o que busco nas reuniões são arrepios ou uma forte emoção, Deus vai se tornar apenas mais uma de inúmeras opções onde eu posso buscar essas sensações.

Liturgia

As formas e as práticas são significativas quando nos reunimos como povo de Deus para adorá-lo. Nossos encontros não só refletem, mas também moldam nossas crenças. Mas não há nenhum “perfeccionismo litúrgico”para ser alcançado por nós que jamais tornará nosso culto mais aceitável a Deus do que ele já é em Jesus. Nosso objetivo é fazer, em fé, o que engrandece a glória de Deus em Cristo da forma mais eficaz e bíblica. Podemos e devemos usar elementos bíblicos na adoração congregacional, mas as liturgias devem nos servir e não nos governar. Uma vez que Deus achou por bem permitir que tivéssemos liberdade quanto à forma, devemos exercer essa liberdade.

Toda vez que nos reunimos, temos a oportunidade de nos gloriar na graça de Deus revelada a nós no Salvador crucificado e ressurreto. Não vamos deixar que os ídolos nos impeçam de nos deleitar com a alegria indizível de que nossos pecados foram perdoados e fomos reconciliados com Deus.

Por: Bob Kauflin. Copyright © Desiring God. Traduzido com permissão. Fonte: Idolatry in Corporate Worship.

Original: Idolatria na Adoração Comunitária. © Cante as Escrituras. Tradução: Thiago Holanda. Revisão: Filipe Castelo Branco e Fabiano Silveira Medeiros.