Certa vez, o humanista holandês Desidério Erasmo (1466-1536) fez a seguinte declaração: “Toda definição é perigosa”. Talvez isso explique a razão pela qual, ao tentar definir uma palavra de forma simples e precisa, muitas vezes acabamos perdendo aspectos significativos do que estamos procurando definir. As tentativas de explicar a adoração como “ato de amor”, ou “intimidade”, ou “relacionamento” expressam apenas parte da verdade e acabam deixando elementos de fora, mais do que contribuindo para a nossa compreensão do que significa adoração.

Apesar da advertência de Erasmo, com o passar dos anos deparei com várias definições de “adoração” que me forçaram a pensar sobre o tema de uma perspectiva mais bíblica.

Em seu livro Music Through the Eyes of Faith [A música Pelos Olhos da Fé], Harold Best define adoração de forma mais ampla: “[Adoração é] reconhecer que alguém ou algo é maior — e de mais valor — e por isso deve ser obedecido, temido e adorado […] A adoração é o sinal de que, ao me entregar completamente a alguém ou a algo, quero ser dominado por esse alguém ou algo” (p. 143).

Queremos ser dominados pelo objeto da nossa adoração. E de fato o somos. Adoramos tudo o que governa nosso tempo, energia, pensamentos, desejos e escolhas. “Aqueles que os fazem [ou seja, aos ídolos] tornam-se como eles; assim também todos os que neles confiam” (Sl 115.8, tradução direta da English Standard Version).

Uma definição de adoração que aprecio pela simplicidade e clareza é a de Warren Wiersbe, que escreveu:

“Adoração é a resposta do crente ao que Deus é, diz e faz, valendo-se para isso de tudo o que ele tem à disposição: corpo, mente, emoções e vontade” (Warren Wiersbe, Real worship, p. 26).

Usei essa definição ou algo semelhante toda vez que precisei ressaltar que a adoração não pode ser algo que possamos fazer pela metade, além de sempre dizer totalmente respeito ao caráter, às palavras e às ações de Deus.

David Peterson desenvolve uma definição bastante perceptiva, ainda que à primeira vista pareça menos proveitosa:

“A adoração ao Deus vivo e verdadeiro é na essência um comprometimento com ele segundo as condições que ele propõe e da maneira que só ele torna possível” (Engaging with God, p. 20).

A definição de Peterson ressalta as seguintes verdades sobre Deus em nossa adoração: sua iniciativa, autoridade e poder capacitador.

O dr. Dan Block, que até recentemente foi professor de Antigo Testamento no Southern Baptist Theological Seminary, define a verdadeira adoração como “atos humanos reverentes de submissão e de homenagem diante do divino Soberano, em resposta a sua autorrevelação graciosa e de acordo com sua vontade” (definição extraída de For the Glory of God [Para a Glória de Deus], do dr. Block, anotações de curso).

Essa é a primeira definição que especificamente menciona o sentido presente em muitas das palavras bíblicas que traduzimos por adoração: “submissão” e “homenagem”.

Bem, este post já está maior do que eu havia planejado. Mas aqui segue outra definição de William Temple (1881-1944), que encontrei em Readings in St. John’s Gospel [Leituras no Evangelho de João].

“Adoração é a submissão de toda a nossa natureza a Deus. É quando temos a consciência despertada por Sua santidade, a mente nutrida com Sua verdade, a imaginação purificada por Sua beleza, o coração aberto para amá-Lo, a vontade entregue a Seus propósitos — e tudo isso à uma, em adoração, que é a emoção mais abnegada da qual nossa natureza é capaz e, portanto, o principal remédio para aquele egocentrismo que é o nosso pecado original e a fonte de todo pecado praticado”.

Amém.

Leia também O que é adoração, parte 2.

Por: Bob Kauflin. Copyright © 2005 Worship Matters. Direitos reservados. Traduzido e publicado com permissão de Bob Kauflin e Fabiano Silveira Medeiros. Fonte: Defining worship, Pt. 1

Original: O Que é Adoração, parte 1. Copyright © 2016 Cante as Escrituras. Todos os direitos reservados. Website: CanteAsEscrituras.com.br. Tradução: Fabiano Silveira Medeiros. Revisão: Filipe Castelo Branco.