A manhã de Domingo não é apenas um chamado para a adoração, mas também um chamado para amar.

Temos um grande mandamento: amar e adorar a Deus com todo nosso coração, alma, mente e força. Isso vem em primeiro lugar e é central. A adoração congregacional não é inferior a amar a Deus com tudo que somos. Porém, não é só isso. Também temos um segundo mandamento, parecido com o primeiro, que é o de amar nosso próximo como a nós mesmos.

Nossa adoração a Jesus e nosso amor por seu povo não devem ser separados para certos segmentos de horas da semana. Ambos aspectos são para a vida inteira. E ambos são essenciais na manhã de Domingo.

Não Se Esqueça de Jesus

Assim sendo, temos que garantir que o maior mandamento está sendo cumprido. Deus deve estar em primeiro lugar, ser o principal e ser intransigentemente central na manhã de Domingo.  É possível tornar a adoração congregacional (justo isso!) em um evento meramente horizontal e preocupado com pessoas, sem a majestade de Jesus elevando-se no centro. Isso é uma tragédia. Esse artigo não é um chamado para que aqueles com uma verticalidade fina em sua adoração dobrem essa tragédia.

Antes, esse artigo é um chamado para aqueles que se tornaram convencidos de que Deus é supremo, de forma gloriosa e maravilhosa, na adoração congregacional. Nos reunimos no Domingo para receber Deus. Para buscá-lo com vontade. Nossas expectativas são apropriadamente altas. Chegamos prontos para alimentar nossas almas com o banquete de tudo que ele é e faz por nós.

Sim, o coração e foco de nossas reuniões coletivas devem ser Deus. Se tudo está no plano horizontal, não é adoração. Devemos ser verticais. A adoração coletiva deve ir em direção a Deus. Deus nos dá pastores para proteger isso, e congregantes fiéis que ficam felizes de não abrir mão disso.

Interesse Próprio Versus Egoísmo

Porém, como humanos pecadores, conseguimos manchar até mesmo a mais pura das coisas – até mesmo a adoração que vai em direção a Deus.

Quanto àqueles de nós que chegamos a possuir a verdade gloriosa de que Deus, e apenas Deus, é a fonte e o foco supremo de nossa alegria, podemos começar a abordar as manhãs de Domingo com uma sutil mentalidade focada em nós mesmos. Sabendo que o mero dever desonra a Deus, vamos para saborear o banquete dos notáveis benefícios da adoração congregacional. Contudo, o interesse próprio santo pode migrar para o egoísmo pecaminoso se não formos cuidadosos; e um teste importante é a nossa percepção e amor pelos outros.

A presença de outros no culto regularmente parece ser uma barreira à experiência “Jesus e eu” que você espera alcançar? O bebê que chora, a criança bagunceira, o pianista rude e os erros de digitação nos slides de letras das canções parecem ser obstáculos para a adoração, ou parecem ser oportunidades?

Considere pelo menos quatro maneiras de fortalecer o aspecto “juntos” de buscar a Deus com vitalidade, juntos, na adoração congregacional.

1. Amplie Seu Coração de Adoração

Assim como Jesus identifica-se conosco como homem e adora seu Pai como parte do povo de Deus (Hebreus 2.11-13), assim também adoramos, não como indivíduos solitários, mas como parte de um corpo. E não apenas em verdade, mas também em espírito. Não apenas tecnicamente e externamente, mas interiormente e conscientemente.

Na adoração congregacional, nosso coração não deve ser o de abafar a consciência dos outros adoradores, com os olhos bem fechados e um estreito foco em Deus, mas deve ser de louvá-lo como parte de seu povo, em meio ao seu povo, como parte de uma reunião, de bom grado. Devemos ampliar nossos olhos de adoração para incluir nosso próximo, não como o objeto de nossa adoração, mas como parceiros que multiplicam a alegria e acentuam o louvor.

Tenha seus momentos “Jesus e eu” em casa. Venha para a adoração congregacional para cantar louvores como parte de seu corpo.

2. Aproveite as Distrações como Oportunidades

Embora os pastores e grupos de louvor devam buscar excelência para evitar distrações e minimizar desvios, é inevitável que as distrações surjam. Mas isso não significa que o espírito de nossa adoração deva ser descarrilhado. Com um coração ampliado, podemos aprender a ver esses momentos como oportunidades para se envolver com Deus e amar os outros, e não como obstruções.

O Deus que adoramos é grandíssimo o bastante para lidar com nossas minúsculas interrupções e perturbações. Nossos erros de bom coração, quer venham da plataforma ou da congregação, não ameaçam sua glória e não precisam ameaçar nossa experiência de sua glória – se recusarmos dar espaço em nossos corações para que as distrações roubem nossa alegria.

3. Sirvam Uns aos Outros com Alegria

Toda igreja tem necessidades na manhã de Domingo. Precisamos de voluntários para o estacionamento, a recepção, a organização, e, é claro, a grande tarefa – o cuidado de crianças. Quanto mais cultivamos uma abordagem de adoração egoísta e estreita “Jesus e eu”, ao invés de uma perspectiva de coração ampliado do “juntos”, é menos provável que atendamos essas necessidades com um coração alegre – isso se nos oferecermos para ajudar.

Precisamos nos relembrar de que Deus dá uma alegria ainda maior quando nossos corações se expandem para ajudar os outros, ao invés de nos fixarmos estritamente em nossa experiência emocional.

Temos não apenas os papeis de serviço regulares e definidos claramente para preencher. A manhã de Domingo é uma chance de estar à procura de necessidades inesperadas de outros, seja em se oferecer para balançar um bebê espalhafatoso para que uma mãe exausta possa adorar, ou até mesmo algo tão pequeno como, de forma proativa, deixar alguns lugares vazios para os que chegarem atrasados.

Novas necessidades surgem quase toda semana, e se não estamos focados estritamente em apenas elevar nossos corações em adoração, podemos assumir o papel modesto do Bom Samaritano, não estando muito distraídos por nossos próprios compromissos religiosos para reconhecer e lidar com necessidades reais.

4. Perdoe e Seja Perdoado

Uma última maneira pela qual uma perspectiva de “juntos” na adoração congregacional pode enriquecer as manhãs de Domingo é trazer à lembrança nossos relacionamentos e quaisquer necessidades de reconciliação.

Ao invés de minimizar os outros e procurar bloqueá-los para focar em Jesus, podemos nos perguntar se ofendemos alguém desnecessariamente, ou se retivemos harmonia. Estamos em paz com nossos companheiros de adoração? É uma deixa para checar nossos corações. A adoração a Deus na antiga aliança não devia ser divorciada do amor pelos outros (Mateus 5.23-24); nem deve ser assim na nova aliança.

Em particular, a Mesa do Senhor serve como um lembrete regular na vida da igreja para procurar reconciliação, tanto com Deus quanto com uns aos outros. Ao invés de irmos para nosso interior e bloquear outros, enquanto preparamos nossos corações para comer e beber em fé, chegamos à Mesa juntos. É uma refeição em família.

Nós comemos e bebemos e adoramos juntos.

Por: David Mathis. Copyright © 2016 Desiring God. Original: Corporate Worship Is a Call to Love

Tradução: Milton Fernandes. Revisão: Filipe Castelo Branco. © 2016 Cante as Escrituras. Original: A Adoração Congregacional é um Chamado Para Amar

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