Você não foi feito criado somente para adorar de maneira individual.

Embora seja muito bom nos escondermos em lugares reclusos e calmos, sozinhos, e ler as porções das Escrituras que escolhemos; orar da maneira que preferimos; tocar as canções que gostamos;memorizar os versos que decidimos e fazer um jejum de alimentos quando nos é conveniente –por mais importante que seja perseguir um ritmo regular de “adoração particular” nestas disciplinas pessoais – esse não é o pináculo de nossas vidas cristãs.

Fomos feitos para adorar a Jesus em comunidade. Entre a multidão. Com a grande horda. Engolidos na magnificente massa dos redimidos. Deus não nos criou para apreciá-lo finalmente como indivíduos solitários, mas como membros felizes de uma família incontavelmente enorme.

Quando o nevoeiro do dia a dia se dissipa, e vislumbramos a perfeita alegria do céu, não nos vemos isolados em uma mesa de estudo, ou escondidos sozinhos em um quarto de oração no paraíso, ou mesmo sozinhos de pé perante o grande Grand Canyon ou o pico da montanha da majestade de Deus, mas alegremente perdidos na multidão adoradora do povo de Cristo, de todas as línguas, tribos e nações.

Fomos feitos para a adoração congregacional.

Alegremente Perdidos na Multidão

O céu será mais espetacular do que podemos sonhar – e a nova terra, ainda melhor que o céu – porém, pode nos causar surpresa ouvir que o melhor vislumbre que podemos ter desse lado talvez seja com a igreja reunida, adorando a Jesus. Não que a eternidade equivalerá a um culto de igreja interminável, mas que estaremos maravilhosamente imersos em uma multidão de companheiros de adoração, que multiplicará nosso regozijo.

E, na adoração do céu, nos juntamos não apenas a “muitos anjos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares” (Apocalipse 5.11) –você pode dizer “incontáveis hostes de anjos” (Hebreus 12.22) –entretanto,nos uniremos também à comunhão inumerável dos resgatados, grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro. . . e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação. (Apocalipse 7.9-10)

Embora a adoração congregacional a Jesus realizada pela igreja universal seja um elemento essencial em nosso destino final, o meio principal utilizado pela graça de Deus para nos levar até lá é a adoração congregacional realizada pela igreja local.

O Mais Importante Meio de Graça

Além disso, ela pode ser o mais importante meio de graça, e nossa maior arma na luta pela alegria, pois como nenhum outro meio, a adoração congregacional combina todos os três princípios da graça contínua de Deus: Sua palavra, oração e comunhão. É a adoração congregacional, com suas pregações, sacramentos, cânticos congregacionais, confissões, petições e ações de graças, o que mais une os dons da voz, dos ouvidos e do corpo de Deus.

Assim, de acordo com Don Whitney, “Há um elemento da adoração e do Cristianismo que não pode ser experimentado na adoração privada ou assistindo ao culto. Há algumas graças e bênçãos que Deus dá apenas quando nos reunimos com outros crentes” (Disciplinas Espirituais). Ou, como Richard Foster diz, “Quando estamos verdadeiramente reunidos na adoração, acontecem coisas que jamais ocorreriam isoladamente” (Celebração da Disciplina).

Talvez sua própria experiência de adoração congregacional como um meio de graça tenha, às vezes, ecoado a experiência de Martinho Lutero: “em casa, em minha própria casa, não há calor ou vigor em mim, mas na igreja, quando a multidão se congrega, uma chama é acesa em meu coração e se espalha”.

A Adoração Não É Um Meio

Contudo, falar sobre adoração como um meio de graça é complicado, pois, como John Piper nos adverte, a verdadeira adoração não é um meio para nada.

“A adoração é um fim em si mesma. Não comemos o banquete da adoração como um meio para qualquer outra coisa. Felicidade em Deus [que é o coração da adoração] é o objetivo de toda a nossa procura. Nada além disso pode ser procurado como um objetivo maior. . . . A verdadeira adoração não pode ser realizada como um meio para alguma outra experiência.” (Em busca de Deus – A plenitude da alegria cristã).

O que, então, queremos dizer quando falamos que a adoração congregacional é um essencial meio de graça de Deus? Isso é possível?

O Segredo da Alegria: Autoesquecimento

Uma distinção a fazer é entre a essência da adoração como sendo alegria em Deus e o contexto da adoração comunitária como sendo a assembleia reunida. Embora louvar a Jesus em comunidade seja a sua maior expressão, a adoração vai além da igreja reunida – ela deve ser para as manhãs de Domingo e para o dia a dia (Romanos 12.1). E, relacionada a isso, está a diferença entre o que pensamos sobre a adoração congregacional (e as várias motivações para isso e os benefícios dela) e como a experimentamos no momento.

mais a ser dito sobre as “graças e bênçãos que Deus dá apenas quando nos reunimos com outros crentes” – que pode inspirar nosso envolvimento fiel e nos ajudar a apreciar o papel insubstituível que a adoração congregacional tem em nossa saúde e crescimento cristãos –mas, por enquanto, a questão é: para onde devemos direcionar nossos corações e mentes coletivamente no momento para experimentar essa graça de Deus?

A resposta é que nosso foco não deve ser o de nos preocuparmos sobre como estamos sendo fortalecidos ou quais graças recebemos. Antes, nosso foco quando estamos juntos é o Cristo crucificado e ressurreto, e as excelências incomparáveis da sua pessoa e de sua obra -o que ilumina todas as várias disciplinas espirituais. A adoração congregacional é um meio de graça não quando nos apanhamos pensando no que estamos fazendo, mas quando experimentamos o segredo da adoração – a alegria do autoesquecimento – à medida que nos tornamos preocupados, juntos, com Jesus e suas perfeições múltiplas.

Veja, então, a rica aplicação à adoração congregacional neste resumo por John Piper:

“Toda emoção genuína é um fim em si mesma. Ela não é conscientemente causada como um meio para qualquer outra coisa. Isso não significa que não podemos ou que não devemos procurar ter certos sentimentos. Devemos e podemos. Podemos nos colocar em situações [adoração congregacional] nas quais o sentimento possa ser acendido mais prontamente(…), mas no momento da emoção autêntica, o cálculo desaparece. Somos então transportados (talvez apenas por segundos) para além do trabalho racional da mente, e experimentamos o sentimento sem referências a implicações lógicas ou práticas.”

Desta maneira, a adoração comunitária (que não é um meio para qualquer outra coisa) é um poderoso – até mesmo o mais poderoso – meio de graça de Deus para a vida Cristã.

Assim, venha para a adoração congregacional pelas muitas bênçãos, e então deixe os cálculos desaparecerem e perca-se no Bendito. Vá para a adoração com um lembrete de como será bom para você estar lá e, conforme o ajuntamento começa, busque intensamente a bondade de Deus e procure esquecer-se de si enquanto você foca em seu Filho.

Por: David Mathis. Copyright © 2014 Desiring God. Original: Kindle the Fire in Corporate Worship

Tradução: Milton Fernandes. Revisão: Débora Oliveira. © 2016 Cante as Escrituras. Original: Acenda a Chama na Adoração Congregacional

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