Mês passado, antes de ter o prazer de participar da conferência Sing!, do ministério Getty Music, em Nashville, conversei com Sol Fenne em um almoço patrocinado pela ministério 20Schemes, que trabalha com a construção de igrejas saudáveis e centradas no evangelho nas comunidades mais pobres da Escócia. Sol é um plantador de igrejas, músico e compositor que tem uma paixão por ver o evangelho transformar vidas nos projetos habitacionais mais pobres da Escócia.

Uma das paixões de Sol é descobrir como o entusiasmo pelo evangelho e a excelência musical da conferência Sing! podem ser aplicados nos contextos das comunidades ou projetos habitacionais mais pobres da Escócia. Depois ele me enviou um e-mail de follow-up perguntando se eu estaria disposto a escrever um post no meu blog abordando a seguinte questão:

Como podemos encorajar nossos violonistas de 8 acordes que se veem diante de 10 a 20 crentes musicalmente imparciais a continuarem se esforçando em circunstâncias difíceis em que recebam pouco ou nenhum incentivo e com novos crentes que não tiveram nenhuma experiência com culturas de canto congregacionais?

Um problema comum

Você não precisa viver em uma das comunidades pobres da Escócia para se identificar com o problema que essa pergunta suscita. A maioria das igrejas não está trabalhando com um quadro estável de músicos profissionais que lideram uma congregação de adoradores entusiastas e engajados. Tentamos nos virar com o seguinte:

• Músicos e/ou líderes sem grande qualificação;
• Participantes que verificam na porta o estado de suas emoções e a capacidade de mexerem o corpo;
• Uma mesa de som que está tentando se firmar nos pés que sobraram da estante ou pedestal;
• Um orçamento apertado que nunca parece incluir equipamentos;
• Músicos que não conseguem entender os acordes usados no CD.

E assim por diante.

Algumas ideias que podem ser postas em prática

Regularmente nos vemos liderando em condições aquém do ideal. Como devemos reagir? Aqui vão algumas reflexões.

Reconheça que o evangelho, e não a música, é o poder de Deus (Rm 1.16). Quando nossos músicos, instrumentos, iluminação e tecnologia não são impressionantes, podemos nos perguntar que razões as pessoas teriam para vir à nossa igreja. Elas vêm porque temos algo que o mundo não tem: a incrível notícia de que Jesus Cristo morreu no lugar de pecadores perdidos e rebeldes para reconciliá-los com Deus. A música, não importa quão maravilhosa, não pode fazer ressuscitar uma alma morta. O evangelho pode, e o faz. Talvez sua igreja jamais se aproxime musicalmente daquilo que a igreja mais próxima em seu bairro é capaz de fazer ou daquilo que as pessoas ouvem em seus celulares. E tudo bem. Pregue, cante e explique o evangelho fielmente e você verá vidas transformadas.

Confie na Palavra de Deus mais do que nas suas (1Ts 2.13). Confiar na Palavra de Deus mais do que nas nossas palavras significa ressaltar e entesourar o conteúdo e o significado da Escritura nas canções, orações, sermões, recursos visuais, sacramentos e conversas. Digo ressaltar E entesourar porque não estamos simplesmente fornecendo informações. Estamos proclamando uma verdade vivificante, que transmite fé, que muda o rumo das pessoas e transforma as mentes. Com ou sem música, as pessoas devem conseguir perceber quanto amamos a Palavra de Deus e o Deus da Palavra.

Ore pedindo que o Espírito de Deus opere nos corações das pessoas para a glória de Jesus e dê como certo que isso acontecerá (1Co 2.12; Jo 16.13,14; 1Co 12.4-7). Não caia na armadilha de pensar que o Espírito de Deus prefere trabalhar em uma igreja de 5.000 ou 500 membros mais do que em uma igreja de 50. Quando os cristãos se reúnem para cantar, orar, ouvir a Palavra de Deus e celebrar o evangelho, o Espírito de Deus está presente para fazer o que só ele pode fazer. Convencer do nosso pecado. Consolar os que sofrem. Dar esperança aos desesperados. Satisfazer os espiritualmente famintos. E ele ama operar por meio de pessoas comuns e dependentes como você e eu.

Ensine ao seu povo o propósito do canto congregacional (Cl 3.16,17; Ef 5.18-20). As pessoas muitas vezes baseiam sua compreensão sobre a razão de cantarmos mais em suas experiências passadas do que na Bíblia. Devemos ter o prazer de lhes ensinar o que Deus diz sobre o canto. Isso pode ser feito em um sermão, em breves comentários, em um site ou em uma conversa. Entre outras coisas, a igreja canta para lembrar o evangelho, para ensinar e admoestar uns aos outros, para comunicar nosso amor por Deus, para expressar nossa unidade em Cristo e para se preparar para o céu. Mesmo que a minha igreja não se pareça muito com o céu agora, cada vez que nos encontramos, estamos nos unindo aos adoradores que se acham diante do trono (Hb 12.22-24). Não estamos fazendo uma performance. Estamos, junto com os santos de todos os tempos, oferecendo louvores a Deus mediante a obra consumada de Jesus Cristo (1Pe 2.4,5).

Deixe claro que os instrumentos só existem para apoiar o principal: o canto congregacional cheio de fé (Sl 71.22,23). Quando sua igreja não tem os músicos que você acha necessários, é uma oportunidade perfeita para ensinar às pessoas que a “adoração” delas não fica impedida por isso. Os instrumentos podem apoiar o canto congregacional, mas nunca podem substituí-lo. Usem um hinário. Cantem a cappella. Encontrem alguns coros simples com boa letra.

Escolha as melhores músicas e cante-as com mais frequência (2Pe 1.12; Fp 3.1). Sol me disse que sua igreja tem um repertório de cerca de 25 músicas. Acho isso sábio. Se sua igreja é pouco instruída ou inexperiente musicalmente, aprenda menos músicas, mas cante-as bem (Só em Jesus, Tudo é Jesus pra mim, Sou feliz, Eis nosso Deus, etc.). Mas certifique-se de que suas poucas músicas cubram um vasto espectro teológico. E lembre-se de que a simplicidade musical não impede que haja letras biblicamente reflexivas e focadas no evangelho.

Se possível, incentive seus músicos a se aprimorarem e a providenciar os recursos (1Cr 25.7). Seja qual for o nível de habilidade de nossos músicos hoje, eles ainda podem crescer. Cultive em seus instrumentistas a seguinte atitude: “Quero melhorar no meu instrumento para poder servir o canto da igreja com alegria e de forma mais eficaz”. Entre os recursos e fontes de instrução podem estar outros membros da banda, o YouTube, livros e músicos de fora da igreja.

Peça que Deus traga músicos para sua igreja (Mt 6.8; 2Co 9.8). Sem minimizar nada do que eu disse até agora, ore pedindo que Deus acrescente instrumentistas à sua igreja, seja por meio de conversões, seja vindos de outra igreja. Embora não seja necessário haver grandes músicos para adorar a Deus, eles podem ser uma bênção para a igreja.

Assim, enquanto continuamos a buscar uma maior proficiência musical, nunca precisamos nos perguntar se os propósitos de Deus estão sendo frustrados pela nossa musicalidade ou perícia musical abaixo da média, ou pela falta de uma banda. Seu poder se aperfeiçoa em nossa fraqueza (2Co 12.9).

Além disso, nossos recursos limitados são tudo com que ele vai trabalhar. E são tudo de que ele precisa, porque sua graça, misericórdia e poder são ilimitados.

Por: Bob Kauflin. Copyright © 2017 Worship Matters. Direitos reservados. Traduzido e publicado com permissão de Bob Kauflin e Fabiano Silveira Medeiros. Fonte: Worshiping a Limitless God with Limited Resources.

Original: Adorando a um Deus ilimitado com recursos limitados. Copyright © 2017 Cante as Escrituras. Website: CanteAsEscrituras.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Fabiano Silveira Medeiros. Revisão: Filipe Castelo Branco.