Se você já escalou uma montanha, você sabe o quão exaustivo isso pode ser. Até mesmo uma trilha íngreme pode encurtar a respiração e fazer nossas pernas queimarem. Mas por mais cansativo que elas possam ser, escaladas de montanhas e trilhas são recompensadoras e divertidas. O esforço da escalada é substituído por vistas impressionantes, sentimento de realização e o prazer do descanso quando se atinge o cume.

Mas muitos de nós somos escaladores muito mais experientes em um sentido diferente. Nossas vidas são uma escalada constante, como em uma sessão emocional de StairMaster¹ das 8 às 18 horas. A experiência satisfatória de conquistar uma montanha ou uma trilha na floresta é como as difíceis jornadas que nós caminhamos todos os dias, mas torcidas para espremer toda a satisfação. Os vales profundos, as escaladas íngremes que queimam as panturrilhas, os ocasionais ápices, e então recomeça tudo novamente – todas as partes estão lá, mas sem o prazer. Apenas a fatigante, interminável e ascendente jornada.

“Eu Acalmei a Minha Alma”

Regularmente, o povo de Israel partia em uma espécie de escalada coletiva. Na verdade, no mínimo três vezes ao ano, os israelitas eram comandados a se reunirem na cidade-monte de Jerusalém (Deuteronômio 16:16). No caminho, os israelitas cantavam salmos para prepararem seus corações e mentes para celebrarem os seus festivais. Esses salmos eram chamados de “Salmos de Romagem”, e um deles é o Salmo 131:

“Senhor, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim. De fato, acalmei e tranquilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança. Ponha a sua esperança no Senhor, ó Israel, desde agora e para sempre!”

Quando os israelitas viajavam, eles escalavam várias colinas, uma difícil viagem até o destino deles. Enquanto eles escalavam, as palavras de humildade e descanso do salmo serviam para enfrentar e tratar as condições dos corações deles. A difícil jornada era um retrato da vida deles – e das nossas.

Talvez você, assim como eu, tenha a tendência de se precipitar para a “próxima e melhor” coisa. Descontrolado, meu coração corre para a direção oposta a descrita no Salmo 131. Meu coração ansioso é mais provável de acreditar no anti-salmo de David Powlison:

Eu, meu coração está orgulhoso (estou absorvido em mim mesmo)
E meus olhos são altivos (eu olho para outras pessoas),
E persigo as coisas melhores e mais difíceis para mim.
Então, é claro que sou barulhento e inquieto por dentro; Isso vem naturalmente,
Como uma criança faminta se mexendo no colo de sua mãe,
Como uma criança faminta, estou inquieto com minhas exigências e preocupações.
Eu distribuo minhas esperanças em qualquer coisa e em todo mundo o tempo todo.”

A “Improdutiva” Chamada para Morrer

Frequentemente, até mesmo nas nossas igrejas e famílias, nós tendemos a perseguir a rota de ocupação esmagadora, independência e sucesso rentável acima de todos. Nós até achamos formas de distorcer partes das Escrituras para se encaixarem nesses objetivos, tentando fazer a nossa busca de “melhor vida agora” aceitável para aqueles ao nosso redor.

Nós focamos em partes da Bíblia que combinam com nosso estado de espírito ambicioso; como recebendo as “riquezas imensuráveis” em Cristo Jesus (Efésios 2:7), ou sendo fiéis no pouco porque então seremos “fiéis no muito” (Lucas 16:10), e então o Senhor vê nossa obediência e nos recompensa com a vida que Ele dá em abundância (João 10:10). As vezes nós ouvimos essas verdades com ouvidos errados, pensando que apenas se nós fôssemos melhores administradores, nossos sonhos se tornariam realidade. Tente mais. Faça mais.

A mensagem do Salmo 131 não parece, a primeira vista, apelar para um coração como o meu. Não é atraente ser dependente de outra pessoa. Isso parece anti-cultural (e contraprodutivo) não perseguir coisas melhores, especialmente quando nós estamos insatisfeitos com o que temos em nossas mãos. É muito mais fácil nos perdemos no jogo da comparação até acharmos nós mesmos melhores do que a pessoa ao nosso lado.

Ainda assim, o Salmo 131 é a chamada para morrer para nós mesmos. É uma canção de libertação, não de um inimigo externo qualquer, mas da nossa própria carne – do desejo de ser melhor ou fazer mais que os nossos amigos, família ou companheiros membros da igreja.

Nivelado Diante da Cruz

O Salmo 131 teria sido cantado pelo povo de Deus em comunidade, todos em uma posição similar em sua jornada para Jerusalém. Pessoas idosas, jovens, experimentando a cansativa escalada a cima, fazendo a subida a uma só voz.

Quando você entra na igreja no Domingo, pode parecer fácil comparar você com aqueles ao seu redor. Você pode comparar sua caminhada com Cristo e sua maturidade espiritual com aqueles ao seu redor, ou suas coisas materiais, ou seu sucesso no trabalho ou em casa.

Mas as canções que cantamos juntos como um corpo daqueles que adoram a Jesus nos colocam no mesmo patamar diante da cruz. A adoração congregacional “nivela o campo de jogo”, porque não importa onde você se encontra na sua caminhada com Cristo, todos nós precisamos que Cristo venha, redima e renove.

Aqui, não existe status para perseguir, porque nosso status final como filhos de Deus tem sido dado a nós pelo nosso Pai celestial. E, reunidos juntos, lembramos disso com elevada consciência enquanto nós lemos e cantamos as palavras de confissão e esperança que são nossas por causa da morte e ressurreição do único e verdadeiro Rei.

Adoração no Monte da Graça

Talvez, no caminho deles para Jerusalém, os israelitas cantavam essa música de dependência com sujeira em seus dentes, cansados do calor do sol, apegando a nada exceto a doce paz de confiar em um Deus que não falharia com eles – como uma criança calma descansando nos braços da mãe. Existe uma grande graça nessa rendição de controle, e é uma graça que mantêm gerações avançando, porque não é sobre eles, mas sobre Deus.

Ele sempre foi fiel a eles, até mesmo nos momentos quando eles falharam em ser fiéis a Ele em retribuição. Essas peregrinações à Jerusalém não celebravam a eles mesmos, mas a Deus que tinha provido, tanto em tempos de escassez quanto em tempos de abundância. Os israelitas sabiam que no meio do deserto, toda a fonte de vida deles estava vindo apenas dEle.

Esse pequeno salmo nos coloca no nosso devido lugar. Ele nos ensina a abrir nossas mãos para seja o que for que Deus nos dá cada dia, na escassez e na abundância. Porque essas graças diárias veem de um Deus que nós conhecemos e confiamos, nós podemos confiar que Ele nos dá. Nós não precisamos apelar para a desconfiança que Deus não virá na nossa necessidade. Nós não temos que nos comparar com os outros pelo que eles têm ou não têm. Nossa confiança e esperança está em alguém que nunca falhou antes. Nós podemos descansar nEle e continuar em frente quando nossos corações são tentados a comparar.

Oh, irmãos e irmãs, “ponha a sua esperança no Senhor, desde agora e para sempre”!

[1] Nota do revisor: StairMaster é uma máquina de exercício que simula o ato de subir um lance de escadas, ajudando a melhorar o equilíbrio, a saúde cardiovascular e a musculatura.

Por: Alexiana Fry. Copyright © 2017 Desiring God. Fonte: Comparison Surrenders in Corporate Worship.

Original: As canções que cantamos nos colocam no mesmo patamar diante da cruz. © 2017 Cante as Escrituras. Website: CanteAsEscrituras.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Calebe Sequeira. Revisão: Filipe Castelo Branco.