Em muitas igrejas modernas, tornou-se uma prática comum apresentar uma música secular no início ou no final do momento de louvor. Músicas pop – incluindo Taylor Swift, U2, Coldplay, e inúmeras outras – agora funcionam como uma ferramenta de divulgação para os cultos de Domingo de manhã. Seja cantando a canção popular “Let it Go” de Frozen em uma sequência de exposições sobre ira, ou “Highway to Hell” do AC/DC antes de uma exposição do evangelho, muitas igrejas estão expressando ideias e temas bíblicos complexos através de conteúdo familiar e acessível, especialmente para incrédulos.

Esta prática é, na maioria das vezes, uma tentativa de suavizar o choque cultural de entrar em uma igreja pela primeira vez. Para muitas pessoas perdidas, a presença de qualquer música na igreja pode ser confusa, e uma música familiar da rádio pode estabelecer familiaridade e coesão entre duas experiências de vida. Essa motivação representa uma sincera preocupação por parte dos líderes da igreja que esperam receber não crentes em suas igrejas. Mas isso tem um preço.

Diretrizes de adoração

Como as Escrituras deixam bem claro, certas qualidades devem definir nossa adoração, incluindo o nosso tempo de louvor.

A Bíblia nos chama para adorar com “reverência e temor” (Hebreus 12:28) e muitas vezes nos lembra que devemos adorar somente a Deus (Êxodo 20:4-5; 2 Reis 17:38; 1 Coríntios 10:14). Os autores bíblicos descrevem a adoração como sacrificial e separada dos padrões deste mundo (Romanos 12:1-2; Colossenses 3:2-5). E ordenam-nos que cantemos seus louvores (Salmos 95:1-2; Colossenses 3:16; Efésios 5:19).

Além dessas diretrizes, os detalhes do estilo e forma podem variar bastante; há mais de um caminho certo para adorar na igreja. No entanto, toda escolha que fazemos – desde o estilo até produção e letras – podem moldar drasticamente nossa fé.

Onde está a glória?

Dentre os muitos propósitos da adoração congregacional, dois primordiais são: glorificar a Deus e moldar o povo de Deus conforme a imagem de Jesus. Quando planejamos nossos cultos com essa base em mente, somos capazes de definir de forma mais efetiva o conteúdo dos cultos. Um líder responsável deve sempre procurar minimizar distrações e proporcionar uma atmosfera propícia aos propósitos essenciais da adoração. Cantar músicas da Katy Perry, independente da intenção, quase sempre levará nossas mentes a perder o foco da glória de Deus.

Em seu contexto apropriado, a música secular tem bastante mérito: nós somos criados à imagem de um Deus criativo, e a música pode muitas vezes expressar essa criatividade sem ser explicitamente sobre Deus. Mas essas canções raramente elevam nossas afeições a Deus. É difícil encontrar mérito em um elemento do culto de Domingo de manhã que não nos leve a glorificar a Deus nem nos molde em sua semelhança.

Mas esta é apenas uma parte do problema.

Paradoxo da participação

Digamos, por exemplo, que incluíssemos uma música da Taylor Swift no início de nosso momento de louvor. Pediremos que a congregação fique parada durante essa música? Colocaremos as letras na tela? Encorajaremos as pessoas a cantar junto? Se respondemos sim a qualquer uma dessas perguntas, nós interpretamos mal uma das funções mais importantes da adoração: crescimento espiritual.

Declarar nossas crenças em música tem um efeito único e poderoso em nossos corações. Como, então, estamos desenvolvendo nossos corações enquanto cantamos “Shake It Off”? Se tratarmos essa música como uma canção de adoração normal (por exemplo, letras na tela, congregação em pé e cantando), permitimos que algo diferente da glória de Deus nos molde. Você vê o dilema? Ainda que o fato de cantar Taylor Swift no Domingo não tenha a ver com a qualidade de sua música. Na verdade, temos que reconhecer que nossa adoração nos molda, por bem ou por mal.

Mas e se tomarmos precauções especiais para distinguir a música secular do resto de nossas músicas no Domingo de manhã? Chamar essa música de “especial” e ter a congregação sentada assistindo resolve muitos dos problemas, mas introduz outro dilema preocupante. Quando separamos a música secular e as músicas de louvor em elementos distintos, inevitavelmente transformamos o primeiro em uma performance. A congregação torna-se apenas uma audiência e os músicos os artistas; a liderança cede lugar à teatralidade e trocamos humildade por espetáculo.

Separados

Então aí está o paradoxo: não importa como escolhemos tratar essa música, nós acabamos violando o conceito bíblico de adoração. Devemos concluir que, apesar do bem genuíno que essas músicas podem fazer para as pessoas que procuram entrar na igreja, a ameaça espiritual é muito maior do que a potencial recompensa.

Embora a cultura ainda possa ser útil em moldar a forma como adoramos, nunca devemos deixar a conformidade com a cultura comprometer nosso testemunho. Assim como buscamos refinar nossas práticas de adoração, que também possamos aceitar com prazer nossa identidade de povo separado por Deus (1 Pedro 2:9-10), e, assim, proclamar suas excelências para o mundo ouvir.

Louvai ao Senhor,
porque é bom e amável cantar louvores ao nosso Deus;
fica-lhe bem o cântico de louvor. (Salmos 147:1)

Por: Joshua Dunn. Copyright © 2017 Desiring God. Traduzido com permissão. Fonte: Shake It Off? Secular Songs on Sunday Morning.

Original: Músicas seculares no Domingo: Shake It Off? © 2017 Cante as Escrituras. Website: CanteAsEscrituras.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Daniel Pasquini. Revisão: Filipe Castelo Branco.