A criação que nos rodeia é a obra do Deus triuno. Isso já é maravilhoso. Porém, dê mais um passo adiante e descobriremos, como o Pastor John explica em The Pleasures of God, que “a criação é uma expressão do transbordamento daquela vida e alegria que o Pai e o Filho têm um no outro”.

Expressando-o de outra forma, vemos um “caleidoscópio” de galáxias, animais e gêneros musicais porque o Pai e o Filho desfrutam de um “caleidoscópio” de deleite no outro, e esse é um deleite transbordante. À medida que o deleite da Trindade transborda na criação, se expande e se irradia para fora de modo que conseguimos compartilhá-lo. A partir desse deleite arrebatador, nós temos a criação — uma criação que fala.

Vivemos em um mundo dentro de um universo caído no qual tudo precisa ser refeito, porém mesmo assim é um mundo cheio de beleza, cor e fragrância infinitas para desfrutarmos. E traçar essa criação de volta para o deleite de Deus em si mesmo é digno de muita consideração e é um tema que Michael Reeves desenvolve em seu próximo livro Delighting in the Trinity.*

Ele começa considerando o Salmo 19.1:

É fácil ler esse Salmo como nada mais do que uma referência ao poder e à imensidão de Deus. Você olha para o céu e contempla o poder e a supremacia transcendente do Criador. Mas o poder de Deus nos diz apenas como ele foi capaz de trazer tudo à existência; não nos diz o motivo.

Agora, olhe para o céu novamente. O Deus triuno não apenas colocou uma estrela aqui e outra ali; ele adornou os céus com milhões e bilhões delas. Como o Salmo 19 continua dizendo, no céu ele pôs o sol, que dá calor, luz e vida ao mundo. Ali também estão as nuvens que enviam chuva para fazer coisas crescerem. Os céus declaram a generosidade amorosa de Deus. E é por isso que ele criou.

Então, da próxima vez que você olhar para o sol, a lua, as estrelas e se maravilhar, lembre-se de que eles estão ali porque Deus ama, porque o amor do Pai pelo Filho transbordou para que pudesse ser fruído por muitos. E eles permanecem ali somente porque Deus não deixa de amar. Ele é um Pai cuidadoso que conhece o número de todos os fios de cabelo da nossa cabeça, para quem importa a queda de todos os pardais; e por amor ele sustenta todas as coisas por meio de seu Filho e sopra a vida natural em tudo por meio de seu Espírito.

E ele conclui com este resumo:

De fato, no Deus triuno está o amor por trás de todo amor, a vida por trás de toda a vida, a música por trás de todas as músicas, a beleza por trás de toda a beleza e a alegria por trás de toda alegria. Em outras palavras, no Deus triuno há um Deus que podemos desfrutar com todo coração — e e desfrutar em e através de sua criação.*

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* Extraído das páginas 43-44 do livro Delighting in the Trinity [Nota de tradução: Este livro foi publicado em português pela editora Monergismo, sob o título Deleitando-se na Trindade]. Veja mais em: John Piper, capítulo 3, The Pleasure of God in His Creation, em The Pleasures of God (Multnomah, 2012), 61–80, e também John Piper e Jonathan Edwards, God’s Passion for His Glory (Crossway, 1998), 155-157.

Conheça o livro citado no artigo

Deleitando-se na Trindade de Michael Reeves é uma introdução agradável à doutrina da Trindade. […] [Trata-se de] uma excelente leitura. […] Este livro será útil para a apreciação de não cristãos que procuram entender o cristianismo. Ele também servirá ao cristão desejoso de entender melhor porque a Trindade não é uma invenção de ‘monges entediados em tardes chuvosas’.” — New Horizons, edição abril de 2013

Por: Tony Reinke. © Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: The Music Behind All Music.

Original: A música por trás de todas as músicas. © Cante as Escrituras. Website: canteasescrituras.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Camila Rebeca Teixeira. Revisão: Filipe Castelo Branco.