Um dos privilégios reais que tenho tido nos últimos anos é experimentar e participar de cultos em várias igrejas. Essas igrejas são de alguns continentes diferentes, pelo menos quatro ou cinco países e de diversas denominações e tradições. Elas variaram desde congregações com centenas ou até mesmo milhares de membros até igrejas com apenas alguns poucos cristãos fiéis.

Ontem refleti sobre muitas dessas igrejas e percebi algo que me surpreendeu: sou encantado por uma igreja que canta mal e desconfio de uma igreja que canta muito bem. Deixe-me explicar.

Alguns anos atrás, eu cultuava em uma igreja que havia sido estabelecida décadas atrás. Essa era uma congregação muito grande, onde três ou quatro gerações estavam adorando juntas e onde a Palavra de Deus tinha sido fielmente proclamada por muitos e muitos anos. A Palavra foi proclamada fielmente no dia em que eu estive lá. A congregação tem um estilo distinto, mas incomum, de cantar, que se estabeleceu há muitos anos no passado e continuou até nossos dias.

Aquelas pessoas sabem cantar. Elas cantam em voz alta. Elas cantam com habilidade. Eles cantam lindamente. Elas cantam em harmonia e com o mínimo de instrumentos para que juntos elevem uma voz ao Senhor.

Mas uma razão pela qual elas cantam tão bem é que há pouquíssimos entre elas que são novos na fé; há poucos entre elas que não foram criados ouvindo essas canções semana após semana, desde a mocidade. Os próprios membros dessa igreja admitem que são evangelistas fracos e que a igreja deles não é atrativa para pessoas de fora porque está muito ligada a uma cultura distinta, estranha àqueles ao seu redor. Eles cantam tão bem porque eles evangelizam muito mal.

E, então, penso em outra igreja que visitei há pouco tempo. Essa é uma igreja onde o canto não é tão bonito. Embora haja alguns na igreja que conhecem as canções e que sabem cantar um hino ou um louvor de adoração contemporâneo, há muitos mais que simplesmente não o sabem. Conforme a música é cantada, muitas daquelas vozes se elevam e se abaixam. À medida que as canções continuam, muitos na igreja podem fazer pouco mais do que murmurar e esperar alcançar pelo menos algumas das notas.

Aquelas pessoas não sabem cantar. A maioria delas canta baixinho. Elas cantam sem muita habilidade. Elas dependem de instrumentos para ajudá-los a continuar. Mas a razão pela qual cantam tão mal é que há poucos entre elas que são maduros na fé. Há pouquíssimos entre aquelas pessoas que foram criados ouvindo essas canções semana após semana, desde a sua mocidade. Essa é uma igreja onde o evangelho está sendo pregado nos cultos de adoração e onde as pessoas estão proclamando esse evangelho àqueles que moram nas proximidades. O evangelho está realizando a sua obra, muitos estão sendo salvos e estão vindo aos cultos dominicais para oferecerem os seus louvores a Deus. Essa igreja canta tão mal porque evangeliza muito bem.

Muitas igrejas nessa situação compensarão — em excesso — aumentando o volume para abafar as vozes. Mas não essa igreja. Os membros ali sabem que o melhor e mais puro instrumento de todos é a voz humana e permitem que esse instrumento domine. E há beleza nisso, se você ouvir com atenção.

Há exceções, é claro. Essa não é uma regra contante e rígida. E ainda assim, acho que ela faz sentido. Nós, que somos cristãos há muitos anos, somos tentados a julgar uma igreja pela qualidade do seu canto. Porém, enquanto reflito sobre essas duas igrejas, e muitas semelhantes a elas, me pergunto se temos entendido tudo corretamente.

Por: Tim Challies. ©Tim Challies. Website: challies.com. Traduzido com permissão. Fonte: I Love a Church That Sings Badly.

Original: Eu amo uma igreja que canta mal. © Cante as Escrituras. Website: canteasescrituras.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Camila Rebeca Teixeira. Revisão: William Teixeira.